Há coisas com as quais não se pode jogar
Há, ou houve, como é o meu caso, alguns fumantes que creem que, porque diminuem sua proporção de cigarros fumados a uma quantidade mínima, podem reduzir os efeitos secundários do fumo à sua menor expressão sem ter que renunciar ao suposto prazer que a adição em si mesma produz.
Nada mais distante da verdade, pois essa tática, se assim podemos chamá-la, nada mais é que uma tortura cruel desnecessária.
É uma tortura no aspecto fisiológico, pois essa atitude te mantém preso a uma dependência da nicotina sem te dar a possibilidade de desintoxicação, para que o poder de tua vontade corresponda àquilo que já se sabe: que o fumo não vai te trazer nada de bom (do contrário não terias decidido diminuir o consumo).
E é uma tortura no psicológico porque, se já aceitaste que o fumo te prejudica, a única coisa que consegues é te dar motivos para te sentires culpado. Isso, juntamente com a repressão à que submetes teu próprio desejo de fumar, forma um círculo vicioso que é o seguinte:
Adição à nicotina (com tudo o que isso implica)>>>Desejo de fumar reprimido>>>Culpabilização por não haver conseguido ainda deixar de fumar>>>Consequentemente, entrega ao desânimo, o que acarreta um tônus vital baixo>>>Recorrer ao fumo para tentar chegar ao vazio que se sente>>>e assim sucessivamente…
Os gatos gostam de brincar com os ratos antes de matá-los, mas, neste caso, deve se ter cuidado com o rato para que ele não se torne muito forte com o próprio jogo e acabe matando-te.
Zenizas
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